
Os dois caminhos
O que me abandonou
O que me aquece
O que me sangrou
O que me apetece
Os dois caminhos
Os dois caminhos
Não quero mais aquele caminho negro e sedutor
Não quero mais aquele intervalo de espinhos
Não quero mais sentir a dor
De um punhado de caquinhos
Os dois caminhos
Os dois caminhos
Quero o caminho aquecido
Quero o caminho puro
Quero o caminho que não foi denegrido
Por um espinhoso muro
Os dois caminhos
Os dois caminhos
Um pequeno, outro grande
Um de peito, outro seco
Um de santo, outro de diabo errante
Um de preto e branco sedutores, outro de esterco
Os dois caminhos
Os dois caminhos
Me pego dividido no ato
Me pego culpado no cartório
Me pego errante pacato
Me pego protagonista de velório
Os dois caminhos
Os dois caminhos
Ainda que a carne seja doce
Ainda que o contraste me enegreça
Ainda que a sucção me leve à foice
Ainda que a pressão me enlouqueça
Os dois caminhos
Os dois Caminhos
O calor é preferível
O calor não trai a confiança
O calor não acompanha o impossível
O calor nega das almas a matança
Os dois caminhos
Os dois caminhos
Se soubesses, meu tudo
Das batalhas que travo
Dos devaneios sem conteúdo
Dos ematomas que me precavo
Os dois caminhos
Rodolfo d'Lima
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