
Ah, minha nossa
Que ferida é essa
Que em vez de pensar que é chato ser gostosa
Acha gostoso ser chata
E afinal de contas é chutada
Já que eu mesmo me espeto
Quero uma estátua, um monumento, um hino
Pra ninguém, pra todos, pra mim mesmo
Uma diferente de tudo e que ninguém copie
Ainda que isso seja impossível nessa vida infinita
Pra quem quero me mostrar afinal de contas?
Pra esse universo fechado de iogurte ensaboado
Ah, que nojo que me dá desse espelho!
Não aguento mais ficar nessa casinha de castas
Ainda que avisado que saudades sentirei desses pais
Acho esse esforço uma bela de uma porcaria
Inevitável, inevitável, inevitável...
Infindável
E a segurança que me falta
Do futuro o arquiteto supremo sabe
E a dor inexistente me machuca, me revira o tornozelo
E é dito que a cadeira de balanço é inútil
E que tudo isso é inútil
E que eu sou inútil...
Ah! Quero paz!
E ela existe (eu sei)
Então, pois, o tempo foi perdido com o cinzel
(Maldito futuro incerto... Ou talvez bendito, quem sabe?)
Mais um dia no batente!
Rodolfo d'Lima
Um comentário:
Dorgas manolo
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