
Mais uma vez atormenta-me o fantasma do fracasso
Comentários de servidão ingênua e infeliz talvez o despertaram
Amedronta-me a possibilidade de ser inútil
De mais uma vez trazer vergonha na fronte desapontada
Mais uma vez ser dispendioso e encarcerado
Chorar em abandono sem merecer nem respirar
Talvez esteja em crise, talvez seja cautela...
Só sei que os frutos amadurecem, e a safra se aproxima
Deleitar-me-ei com doces gomos ou engasgar-me-ei com erva amarga
Remédios ruins dizem curar, mas não quero mais depender deles
Não quero mais viver intoxicando-me de medicação carrascal
Já tive o suficiente de derramar meu pranto... Quero alegrar-me
Dizer a todos que fui triunfoso
Olhar pra trás e repousar sem trilhaduras no despertar
Apenas a aguardar o expresso da boa manhã
Deixar armadura, espada e escudo de lado
Sereno sentindo no corpo o orvalho na relva convidativa
Com cada músculo dolorido, cada hematoma na alma esquecidos
Quão infantil me sôo
Será que alguma vez cresci?
Ou se o fiz... Será que quis?
Porém agora nada disso importa, nada disso me auxilia
Ainda há guerra a ser vencida, infindáveis batalhas a serem travadas
Agora ainda canto a música fria e ensangüentada do aço
Rodolfo d'Lima
Um comentário:
Mô meu... Esse eu sei a inspiração!!! Sua DPV!!! Nhamuuu....
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