domingo, 8 de junho de 2008

Sereno Ambíguo


Vou dormir ao relento
Destraqueado porém não parlaria nem se pudesse
Sou animal nem mesmo instinto pois até eles têm código
Só pelagem de gestação tenho eu pra me proteger
Mas quem dera lambessem-me o aço pra que parasse de pensar
Já gritava a rainha do véu pra que me levasse com ela

Mantinha-me impune em honraria com bandeira e brasão
Agora nem entendo por que tive leito aquecido e plumoso na última noite
Minhas armações gemem, enfrioradas com meus apoios inertes
Não me conforto em posição nenhuma que me envolvo
Agora me atrapalho com o que não queria e me da cota nova
Metalurgia que me destina novamente pois sou merecedor

Devia eu ter ficado na toca ou tomado atitude diferente
Ter ignorado atmosferas terceiras e olhares querosos
Ter acompanhado a camaradagem e sair antes do trepitar da wyrn
Abandonado o impulso instintivo de fazer feliz malquiosamente
E o que só me vinha à mente: Buquet... Buquet...
Que foi que fiz...

Agora mendigo eu por uma colher de perdoamento que seja
Recuso o corpo do imortal e me envergonho de ter adentrado seu templo
Não era digno de tê-lo servido sem antes confessar-lhe com um clérigo
Agora tenho duas varetas pra me espinhar
Quero uma, regreto outra, porém não esperanço que me amereceie
Pois isso nem mesmo eu faço


Rodolfo d'Lima